Cliente Potencial - Negócios em academias

Fabio Saba e Marco Túlio Pimenta

A razão de ser de todo serviço é o consumidor. Nas academias e centros esportivos também. Mas onde está o público a ser cativado? Em geral, os investidores se preocupam em atrair alunos da concorrência. Contudo, o maior público potencial está em casa. São pessoas das várias faixas etárias, de ambos os sexos, sedentários que precisam de motivação para seguir um estilo de vida mais saudável. Praticar exercícios físicos de maneira bem orientada, ainda, não faz parte da rotina de milhões de brasileiros.

Avanços tecnológicos facilitaram nossa vida e também nos pouparam esforços. Automóveis, elevadores, televisão, controle remoto, portões eletrônicos, computadores e telefones dispensam a realização de movimentos básicos, como caminhar, correr, saltar, carregar. Resultado: até mesmo a atividade física diária vai ficando cada vez mais limitada, trazendo um custo elevado para a saúde da população.

Segundo a OMS, o sedentarismo é o principal fator de risco para doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes tipo II, osteoporose, câncer de cólon e do reto, câncer de mama e depressão, além dos distúrbios cardiovasculares, principal causa de mortalidade nos países ocidentais. Exercícios físicos regulares contribuem para prevenir todos esses quadros, como também a obesidade, e ajudam a administrar o estresse; por isso, a OMS recomenda pelo menos meia hora de atividade moderada, de preferência todos os dias.

Diversas campanhas foram feitas para transmitir essas informações ao público, e há claros indícios de que a comunicação atingiu o alvo. A pesquisa PrevenAção, da Sociedade Brasileira de Cardiologia/FUNCOR, conduzida pelo Datafolha, ouviu 2.012 brasileiros entre 18 e 70 anos de idade em setembro de 2006; 86% acreditam que a falta de atividades físicas pode contribuir para o aumento de doenças cardiovasculares. Os entrevistadores verificaram, entretanto, que há uma grande distância entre a teoria e a prática: quase metade dos entrevistados (49%) não realiza atividades físicas. Os idosos são os mais sedentários: 57% entre os que têm entre 60 e 70 anos não se exercitam; o índice cai para 53% entre 45 e 59 anos; diminui ligeiramente (50%) nas duas faixas etárias seguintes (entre 35 e 44 anos e 25 e 34 anos); e atinge a menor taxa entre
os jovens: 39% dos que têm entre 18 e 24 anos não levam vida ativa.

Esse hiato já havia sido constatado em uma pesquisa anterior, efetuada em 2003 também pelo Datafolha, mas por encomenda do SESC (Serviço Social do Comércio). Foram ouvidas 908 pessoas acima de 16
anos, residentes na capital, no interior e no litoral de São Paulo: 94% dos entrevistados disseram acreditar que os exercícios trazem benefícios para a saúde; no entanto, quase 40% se mantinham sedentários.

Outros estudos levantaram o número de brasileiros absolutamente sedentários, isto é, que não realizam esforços físicos intensos no trabalho, não se deslocam a pé e não se responsabilizam pela limpeza doméstica: três em cada dez brasileiros adultos entram nessa categoria, de acordo com o Vigitel, um inquérito sobre os fatores de risco para doenças , divulgado em março de 2007 pelo Ministério da Saúde. Os índices foram altos em todas as 26 capitais, especialmente em Natal, que somou 35,1% de inativos. Entre os que se declararam ativos (fazem pelo menos 30 minutos de atividade leve ou moderada cinco dias ou mais por semana), o índice mais alto coube ao Distrito Federal, onde 25% da população praticam exercícios físicos; em último lugar ficaram os paulistanos: 10,5% deles se exercitam.

Mesmo entre o público mais esclarecido (que possui doze ou mais anos de escolaridade), apenas a minoria se exercita de modo suficiente: 15% das mulheres contra 23% dos homens. Esses números, contudo, nem sempre expressam o que acontece com boa parte dos brasileiros: uma pequena parcela realiza efetivamente um programa orientado de treinamento e obtém os resultados esperados; uma porcentagem muito maior acaba entrando e saindo dos mais variados programas de condicionamento físico, sem apresentar nenhum resultado objetivo. Embora desejem levar uma vida saudável, eles ficam apenas na intenção de realizar exercícios físicos e a prática não se concretiza pelos motivos mais variados, inclusive a falta de motivação adequada.

Disso, é possível deduzir que a grande maioria da sociedade brasileira não possui uma rotina saudável de exercícios físicos. Portanto, as academias têm uma parcela considerável da população a conquistar, o que significa muito potencial para crescer.

 

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